Trecho do livro “Hospício é Deus: Diário I”.

” – Quem me roubou o direito de provar que sofro? Respondo:

– O pátio.

– Que vivo?

– O pátio.

– Que quero?

– O pátio.

– Quem me ouviria?

– O pátio.

– Quem não me ouviria?

– O pátio.

– Quem sabe?

– O pátio.

– Quem não sabe?

– O pátio.

PÁTIOOOOOOOOOO. [Quem fez o pátio?]

(…) ENTRADA FRANCA AOS VISITANTES: não terá você, com seu indiferentismo, egoísmo, colaborado para isto? Ou você, na sua intransigência? Ou na sua maldade mesmo? Sim, diria alguém, se pudesse: recusaram-me emprêgo por eu ter estado antes internada num hospício. Sabe, ilustre visitante, o que representa para nós uma rejeição? Posso dizer: representa um ou mais passos para o pátio. – Eu quis, mas não posso viver junto dêles. Que fazer? Odeio-os então por isto. Trancar- me – voltar para o pátio, onde não serei rejeitada. Fugir. Fuga na  loucura.”

Maura Lopes Cançado, 1-2-1960.

Jornalista e escritora mineira – tempos de internação no Hospital Gustavo Riedel-RJ.

Trecho do livro Hospício é Deus: Diário I. José Álvaro, Editor S/A, Rio de Janeiro, 1965. p.225-226. Coleção “Lúcio Cardoso”.

 

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