Médico denuncia omissão de socorro em hospital psiquiátrico

Do Cruzeiro do Sul

15/05/2011 | SAMU ACIONADO

Diretor nega que tenha havido falha e afirma que relato à polícia é infundado

Marcelo Roma

A falta de socorro imediato a uma paciente do Hospital Mental Sorocaba que sofreu paradas cardíacas e insuficiência respiratória virou caso de polícia e deve ser apurado. A paciente sobreviveu e ontem permanecia internada no Hospital Regional. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamada com urgência no sábado de manhã e o médico Décio Luís Portella de Campos conseguiu estabilizar o quadro clínico da mulher.

Depois disso, o médico do Samu registrou na delegacia do plantão sul um boletim de ocorrência de omissão de socorro, crime previsto no artigo 135 do Código Penal. O diretor do Hospital Mental, David Haddad, negou falha no socorro à paciente. Ele foi ouvido ontem pela reportagem e afirmou que a denúncia é infundada.

Conforme informações de Portella, que constam no boletim de ocorrência número 5.035/2011, sua equipe foi acionada para uma paciente com parada cardíaca no Hospital Mental e chegou às 11h35. A mulher estava na enfermaria sem acompanhamento médico. Segundo Portella, a enfermeira disse a ele que naquele momento o médico de plantão Jaime Antônio Patton Vargas, atendia em outro lugar do hospital, mas antes havia feito trabalho de reanimação na paciente.

De acordo com o médico do Samu, o plantonista do hospital chegou após 40 minutos e disse que tinha saído para almoçar sem saber que o estado da paciente havia piorado. A equipe do Samu estabilizou as funções vitais da mulher e a transferiu para o Hospital Regional, com diagnóstico de pneumonia. Conforme Portella, no Hospital Mental ninguém forneceu o prontuário médico dela nem assinaram a ficha de atendimento. Ele também pediu a escala de plantão médico, que não lhe deram.

O diretor do Hospital Mental rebateu a denúncia de omissão de socorro. Segundo ele, por ser um hospital psiquiátrico o hospital referência para atendimento a pacientes que requerem cuidados especiais é a Santa Casa. Em relação à mulher em questão, ela apresentou parada cardíaca súbita, senão seria transferida antes para a Santa Casa, explica Haddad. “O procedimento nesses casos é acionar o Samu. Se o médico de plantão, que é psiquiatra, estivesse junto à paciente, ele também teria chamado o Samu”, diz o diretor do Hospital Mental.

Haddad conversou com o médico de plantão e ele lhe disse que chegou à enfermaria 10 ou 15 minutos após o Samu, e não 40 minutos como mencionado no boletim de ocorrência. O Hospital Mental tem 330 pacientes e o médico plantonista tem que ver os pacientes que estão doentes ou precisam de cuidados, além de acompanhar os de estado mais grave, na enfermaria, observa o diretor.

Quanto à negativa em fornecer o prontuário, Haddad avisa que pode ser mostrado, mas não levado do hospital. Segundo ele, a paciente não precisou ir para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Regional, seu quadro é estável e deve ter alta esta semana, retornando para o Hospital Mental.

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