Dia Nacional da Luta Antimanicomial é comemorado no Parlamento paulista

Da ALESP

A Assembleia Legislativa recebeu nesta quarta-feira, 18/5, diversos grupos ligados aos conselhos regionais e ao Conselho Estadual de Psicologia, ao sediar a manifestação comemorativa aos 24 anos do primeiro ato de questionamento da sociedade quanto ao tratamento dado às pessoas no que concerne à saúde mental. A manifestação teve o objetivo de conscientizar a sociedade de que os usuários do serviço de saúde mental devem ser respeitados como seres humanos e como cidadãos.

A mesa foi formada pelos deputados do PT Hamilton Pereira, Carlos Grana, João Paulo Rillo, Marcos Martins, José Candido, Adriano Diogo e do PSOL Carlos Giannazi. O psicólogo Lúcio Costa, representando o Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo também integrou a mesa.

Carlos Grana reafirmou a importância da manifestação, pois isso reforça a luta, e colocou à disposição suas possibilidades de agregar forças. Disse ainda que, apesar de a bancada do PT ser minoria na Casa, ele aproveitará o tempo na tribuna do Plenário para denunciar e cobrar das autoridades as responsabilidades para com quem recebe tratamento de saúde mental.

João Paulo Rillo frisou que o brasileiro usuário do serviço de saúde mental somente tem comportamento diferente do nosso, e não pode, de maneira alguma, ser enclausurado de forma agressiva e arcaica. “O que é preciso”, alegou “é ter políticas públicas adequadas”. Encerrou seu pronunciamento recitando o poema O Escravo, de Ferreira Goulart.

Hamilton Pereira, indignado, citou os casos ocorridos em Sorocaba e que acabaram em óbitos, simplesmente pelo desprezo absoluto do Poder Público. “Manicômios são vergonha para o Estado de São Paulo”.

A esse respeito, Adriano Diogo disse ter sido informado pelo deputado Hamilton que Sorocaba é a capital dos manicômios, e que, para ele, manicômio é a mesma coisa que prisão. “Historicamente”, afirmou Diogo, “manicômio é prisão política haja vista ter sido, entre outros, preso em um manicômio o almirante João Cândido. O Brasil é um enorme manicômio. É ditadura, que tortura políticos, presos e loucos!”

José Candido ressaltou a importância do movimento e lembrou o nome de Santos Dumont, que tanta vezes foi chamado de louco mesmo sendo um gênio. “Todos nós temos loucura em maior ou menor quantidade”, frisou Candido.

Marcos Martins parabenizou a todos pela manifestação e colocou seus préstimos a favor do movimento deixando palavras de apoio e perseverança na luta.

Carlos Giannazi avaliou a presença dos manifestantes na Casa como excelente. “A Assembleia é a Casa do Povo, que deve se posicionar diante das questões apresentadas.” Giannazi, entretanto, indicou um outro problema que, segundo ele, também afeta de forma avassaladora o usuário do serviço de saúde mental: a privatização e a terceirização da saúde pelo governo.

Várias pessoas, egressas de manicômios, deram seu testemunho do tratamento desumano e monstruoso que receberam. Levantamento feito pelo Fórum de Luta Antimanicomial revelou dado preocupante que corrobora essas manifestações: a idade média dos pacientes que morreram nos hospitais psiquiátricos do Estado, precisamente em hospitais da região de Sorocaba, é de 49 anos. Em quatro anos, foram 477 mortes nos maiores hospitais do Estado, sendo que, na região de Sorocaba, o total é de 459.

Opinião de psicólogos

Representando o Conselho Federal de Psicologia, Adriana Eiko salientou a busca que esse órgão vem fazendo, ao longo do tempo junto à sociedade e movimentos sociais, na procura de soluções para o fim dos manicômios, das diferenças e a luta contínua pela reforma da psiquiatria. Para o conselho, afirmou Adriana, a rede psicossocial é objeto de muita atenção, sendo que “o importante é ter liberdade e não razão”.

O secretario executivo do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, Aristeu Silva, disse que toda vez que os direitos de uma pessoa são violados, todas as outras também os têm violados. “Precisamos estar atentos quando a saúde mental vira mercado e o sofrimento das pessoas transforma-se em poupança de alguns.”

Moacyr Miniussi Bertolino Neto, psicólogo e membro do Conselho Estadual de Saúde e coordenador da Câmara Técnica de Saúde Mental denunciou a maneira equivocada com que a Polícia Militar tratou os profissionais do Centro de Atendimento Psicossocial de São Miguel Paulista durante manifestação na praça Morumbizinho, no dia 18/5. “A Polícia Militar desmobilizou a manifestação pacífica feita com o mesmo objetivo pelo qual estamos aqui na Assembleia. Isso demonstra a grande luta que ainda temos pela frente”, frisou Bertolino.

O programa de Luta Nacional Antimanicomial continua até o próximo sábado, 21/5, e as reuniões ocorrerão no auditório do Conselho Regional de Psicólogos.

Mais informações no site www.crpsp.org.br.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: