Nota de REPÚDIO do FLAMAS as declarações do prefeito VITOR LIPPI

Hoje (20/07/2011) o prefeito Vitor Lippi deu uma entrevista ao Jornal da Manhã da Jovem Pan. Registramos aqui o nosso manifesto de repudio pela forma irresponsável com que ele conduziu suas considerações:

1º O Prefeito VITOR LIPPI disse que Psicólogos são secundários no processo de tratamento de pessoas acometidas de transtorno mental e que transtorno mental devem ser tratado por psiquiatra.

Repudiamos essas considerações e registramos que todo profissional envolvido no processo de cuidado com a pessoa acometida de sofrimento psíquico tem a mesma importância e o mesmo grau de responsabilidade com esse cuidado.

Quando Vitor Lippi, em um tom provocativo, tenta desqualificar ou inferiorizar o trabalho dos profissionais Psicólogos, ele desqualifica também toda uma equipe de diversos setores da saúde, tais como: Auxiliares de Enfermagem, Enfermeiros, Terapeutas Ocupacionais, Assistentes Sociais, Profissionais da Limpeza, dentre outras pessoas e profissionais. Se estes não trabalhassem em sintonia, de nada adiantaria o trabalho do Psiquiatra.

2º O Prefeito se refere ao FLAMAS e à Luta Antimanicomial de uma forma personalista, na tentativa de esconder as informações absurdas divulgadas pelos meios de comunicação a respeito da saúde mental. Ele ignora as denúncias de funcionários e familiares e as informações levantadas por entidades governamentais, tentando partidarizar a Luta Antimanicomial.

A Lei 10.216/2001 foi aprovado no governo Fernando Henrique Cardoso, com o aval do então Ministro da Saúde José Serra. A origem do projeto de lei é do deputado Paulo Delgado do Partido dos Trabalhadores, apresentado em 1991. A lei, portanto, foi aprovada depois de 10 anos de discussão no país inteiro. A Luta Antimanicomial, não somente em Sorocaba, mas em todo país, é fundamentada na lei 10216/01. Portanto, não se trata de uma OPÇÃO para o governo municipal fazer a reforma psiquiátrica, mas sim de uma OBRIGAÇÃO, pois é o município que tem essa incumbência.

Não divergimos (FLAMAS e o governo Vitor Lippi) por conta de cores partidárias, mas por diferenças de compromissos firmados. O compromisso do FLAMAS é com a LEI e com os DIREITOS HUMANOS.

3º O prefeito diz que foi uma injustiça o que “fizeram” (sic) com o ex-Secretário de Saúde Milton Palma, tentando atribuir ao FLAMAS um “ato de injustiça”.

Milton Palma foi Secretário de Saúde da prefeitura de Sorocaba de 2004 a 2011, quando, no mês de maio, foi exonerado do cargo, após ter sido denunciado pelo SBT Brasil (programa jornalístico em rede nacional) por ser SÓCIO de três hospitais psiquiátricos da região de Sorocaba.

Quando o prefeito tenta ligar a “injustiça’ da exoneração do ex-secretário ao FLAMAS, que não teve relação alguma com tal denúncia, ele desconsidera a gravidade da denuncia apresentada. Afinal, se não houvessse um conflito ético-moral no fato do ex-secretário ser sócio dos hospitais e ao mesmo tempo ser Secretário de Saúde do município, por que motivo o mesmo seria exonerado de sua função?

Se tivermos que atentar contra o grau de injustiça cometido contra alguém, deveríamos, necessariamente, começar pelas pessoas que tiveram suas vidas e seus convívios sociais interrompidos a partir do momento que foram depositadas nesses hospitais.

4º O prefeito tenta desqualificar a pesquisa elaborada pelo FLAMAS.

No mês de maio o FLAMAS recebeu um manifesto de apoio de várias organizações de todo o país, como, por exemplo, da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME), entidade científica que tem como coordenador o Dr. Paulo Amarante (PSIQUIATRA), professor titular da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/FIOCRUZ) do Rio de Janeiro. Esse relatório também foi encaminhado a diversos órgãos e entidades acadêmicas em todo país e recentemente, entregue à Organização das Nações Unidas (ONU).

Afirmamos a legitimidade da pesquisa, pois o próprio relatório de auditoria dos hospitais psiquiátricos elaborado pela Prefeitura confirma os dados da pesquisa do FLAMAS.

5º O Prefeito diz que o FLAMAS não tem propostas e não diz o que fazer com a situação em que se encontra a saúde mental em Sorocaba.

Vitor Lippi esquece que, se temos uma reunião mensal para pensar um outro modelo voltado a saúde mental com a participação de alguns representantes da prefeitura a aproximadamente três meses, isto se deveu justamente ao pedido do FLAMAS junto à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Ministério da Saúde, Defensoria Pública do Estado de São Paulo, Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana, Conselhos Regional e Federal de Psicologia e Conselho Estadual de Saúde de São Paulo. Este pedido foi motivado pelo fato do poder público municipal não saber o que fazer com a situação lamentável apresentada, o que inclusive motivou a organização de um grupo, hoje denominado FLAMAS.

Lamentamos que, o prefeito Vitor Lippi trate de forma irresponsável uma situação tão séria como é a da saúde mental e da VIOLAÇÃO de DIREITOS HUMANOS em nosso município.

Vimos, por meio desta nota, repudiar esse tipo de comportamento e táis pronunciamentos.

CONTINUAREMOS LUTANDO, POIS NADA NEM NINGUÉM CALARÁ A ORGANIZAÇÃO POPULAR.

Reafirmamos nosso compromisso com a Luta Antimanicomial e a REFORMA PSIQUIATRICA e é nesse sentido que continuaremos caminhando.

Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba – FLAMAS

4 Respostas

  1. …eu não tenho outra palavra a não ser que essas pessoas como esse prefeito, são assassinos sanguinários …

  2. Um prefeito a favor do ATO MÉDICO e contra a POLÍTICA ANTIMANICOMIAL! Não precisa dizer mais nada.
    Lamentável a postura de um gestor eleito pelo povo, demonstrar tamanho desinteresse em defender direitos da população e privilegiar ou proteger certos grupos ou pessoas.

  3. Um prefeito a favor do ATO MÉDICO e contra a POLÍTICA ANTIMANICOMIAL! Não precisa dizer mais nada.
    Lamentável a postura de um gestor eleito pelo povo, demonstrar tamanho desinteresse em defender direitos da população e, não privilegiar grupos ou pessoas.

  4. Eu não sei se o prefeito é alheio, infelizmente acredito ou se faz dê. Trabalhei anos num desses hospitais onde o ex secretário é sócio e garanto que a situação é pior do que a pesquisa aponta.

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