Principais resultados da nova atualização do Levantamento de Indicadores sobre os Manicômios de Sorocaba e Região, realizado pelo FLAMAS.

– o número de leitos na região de Sorocaba é cinco vezes superior ao que a legislação recomenda.

– o índice de pacientes-moradores indocumentados é mais de duas vezes superior ao do restante do Estado.

– o número de funcionários de nível superior é inferior à metade do que é determinado pela Legislação federal.

– ocorreram 825 mortes de pacientes do SUS para o período entre 2004 e julho de 2011, o que corresponde a uma morte a cada três dias. Os quatro manicômios com mais mortes de pacientes do SUS no Estado de São Paulo são da região de Sorocaba

– a média de óbitos por mês nos manicômios da região para cada mil pacientes internados é 119 % maior do que o dos outros manicômios paulistas com mais de 200 leitos. Todos os sete manicômios da região estão entre os dez manicômios de grande porte do Estado com maior índice de mortalidade entre 2004 e 2011.

– o aumento do índice de mortalidade é de 67 % nos meses mais frios (segundo quadrimestre do ano) nos manicômios da região.

– a idade média dos mortos é bem mais precoce nos manicômios da cidade de Sorocaba (49 anos) e região (53 anos), se comparada a dos demais manicômios do Estado de São Paulo (62 anos), para o período entre 2006 e 2009.

– em grande parte dos casos as mortes ocorrem por motivos evitáveis ou mal-esclarecidos e há um forte aumento nos diagnósticos de pneumonia e infarto como causa básica de morte, na comparação com os demais grandes manicômios do Estado.

Para maiores informações, acesse aqui a versão completa do Levantamento: https://flamasorocaba.wordpress.com/dossie-dos-manicomios/

Levantamento do FLAMAS contabiliza 840 mortes nos manicômios da região de Sorocaba entre 2004 e o primeiro semestre de 2011

Os pesquisadores do FLAMAS (Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba), ligados ao Grupo de Pesquisa “Saúde Mental e Sociedade”, cadastrado no CNPQ, ampliaram a série histórica do Levantamento acerca dos óbitos ocorridos nos manicômios da região.

Os novos resultados indicam que o número de mortes permanece constante nos últimos sete anos e meio, com uma média de uma morte a cada três dias no período de 2004 ao primeiro semestre de 2011. Em todos os anos finalizados, o número de mortes superou a casa de uma centena. No total do período considerado, o número de óbitos chegou a 840. Os índices de mortes por número de leitos ou pacientes internados nos sete manicômios da região são aproximadamente o dobro dos calculados para os outros dezenove manicômios do Estado de São Paulo com mais de 200 leitos.

Os novos dados reforçam os resultados anteriores que apontaram um forte aumento do número de mortes nos meses mais frios do ano: há um aumento de 75 % das mortes no segundo quadrimestre (maio a agosto) em comparação ao restante do ano. O FLAMAS ressalta que uma fiscalização ocorrida em um manicômio da região apontou as condições de isolamento térmico como uma das prováveis causas do aumento das mortes, ao lado da falta do número adequado de funcionários e do não-encaminhamento de pacientes gravemente enfermos para hospitais gerais.