Levantamento do FLAMAS contabiliza 840 mortes nos manicômios da região de Sorocaba entre 2004 e o primeiro semestre de 2011

Os pesquisadores do FLAMAS (Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba), ligados ao Grupo de Pesquisa “Saúde Mental e Sociedade”, cadastrado no CNPQ, ampliaram a série histórica do Levantamento acerca dos óbitos ocorridos nos manicômios da região.

Os novos resultados indicam que o número de mortes permanece constante nos últimos sete anos e meio, com uma média de uma morte a cada três dias no período de 2004 ao primeiro semestre de 2011. Em todos os anos finalizados, o número de mortes superou a casa de uma centena. No total do período considerado, o número de óbitos chegou a 840. Os índices de mortes por número de leitos ou pacientes internados nos sete manicômios da região são aproximadamente o dobro dos calculados para os outros dezenove manicômios do Estado de São Paulo com mais de 200 leitos.

Os novos dados reforçam os resultados anteriores que apontaram um forte aumento do número de mortes nos meses mais frios do ano: há um aumento de 75 % das mortes no segundo quadrimestre (maio a agosto) em comparação ao restante do ano. O FLAMAS ressalta que uma fiscalização ocorrida em um manicômio da região apontou as condições de isolamento térmico como uma das prováveis causas do aumento das mortes, ao lado da falta do número adequado de funcionários e do não-encaminhamento de pacientes gravemente enfermos para hospitais gerais.

Uma resposta

  1. O não encaminhamento de pacientes gravemente enfermos para hospitais gerais, é grave, gravíssimo! Esta é uma questão que venho trazendo constantemente, para os nossos fóruns de saúde mental. Nos serviços abertos, tipo CAPS, existe uma orientação (pelo menos, é isso que me dizem) que, o atendimento, nesses casos, é de responsabilidade do próprio usuário ou, de seu familiar/cuidador. Falo isso com doloroso conhecimento de causa, pois meu filho, André Luiz, era hipertenso, todo mundo do serviço, sabia disso e, apesar disso, entregavam-lhe um encaminhamento para que um de nós, ele ou eu, procurássemos uma consulta num clínico geral ou num cardiologista da rede. Ele se negava, terminantemente a ir e, aconteceu o que vocês todos já sabem… Acho que, casos como esses, precisam ser melhor avaliados, poistransferem para o usuário ou para o seu cuidador, uma situação que, muitas vezes, não temos como resolver. “O acesso à rede geral (sobretudo a especializada) é muito mais difícil para os usuários da rede substitutiva, tanto por conta das características específicas do próprio quadro clínico quanto, devido ao estigma. Em função disso, é necessário que os próprios técnicos de referência dos serviços, assumam também esse papel de agenciadores do cuidado.” Já abordei essa questão em alguns momentos, levando ao conhecimento da coordenação de saúde mental, primeiro, a do município e, posteriormente, à do Ministério, bem como, a outras instâncias, sem contudo haver recebido nenhuma resposta. Continuarei insistindo nesse tema, que precisa ser, urgentemente, discutido. Quero afirmar, mais uma vez, que não se trata de crítica, mas sim, de COLABORAÇÃO desta minha já longa experiência como usuário/familiar da saúde mental. Agradeço pela publicação, Geraldo Peixoto – São Vicente.

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