Sorocaba SEM manicômios: em defesa de um projeto político Antimanicomial

Já não há mais como tratar a Luta Antimanicomial como um mero idealismo, como muitos sorocabanos insistem em fazer. Não há mais a possibilidade de considerar o movimento da Luta Antimanicomial como mera “ideologia” de esquerda, como ação de “sonhadores e sonhadoras” ou de idealistas. A concretude da perversidade que se materializa nas práticas diárias que foram reveladas em apenas 2 semanas de investigação jornalística, mas que já vêm sendo denunciadas pelo FLAMAS há algum tempo, não mostram nem 0,0001% do que já aconteceu na vida das muitas pessoas que estiveram e das que ainda estão encarceradas nestes campos de concentração, travestidos de espaços de cuidado, há anos. Em muitos casos, há décadas.

A lógica capitalista, em sua perversidade mais crua, esteve e está presente em todos atos perpetrados contra a dignidade humana daqueles que estão confinados nos espaços manicomiais: internos, completamente abandonados, sendo torturados, humilhados, mantidos em condições degradantes. Condições que não se justificam por qualquer tipo de argumento relativo ao cuidado ou à busca de melhorias na condição de sofrimento com que estas pessoas chegam a esses espaços. Os trabalhadores e trabalhadoras aparecem numa situação em que se encontram reféns do poder médico-psiquiátrico-empresarial, amordaçados e amedrontados, adoecendo junto com tudo isso, pois acredito que não há como um ser humano passar incólume à convivência com essa situação. Estas condições são sustentadas com dinheiro público. As práticas denunciadas na reportagem são financiadas com dinheiro público. Nosso dinheiro está sendo usado para manter estas pessoas naquelas condições.

O Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba tomou para si, enquanto movimento da sociedade civil, a responsabilidade moral e política de trazer à tona uma parcela ínfima das calamidades que assolam a vida das pessoas que se encontram nestas instituições. E mesmo esta pequena parcela dos acontecimentos já foi suficiente para mobilizar instâncias como o MP, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o CONDEP, outros fóruns de luta antimanicomial do Estado de São Paulo e de outras regiões do país. Sorocaba é um dos símbolos maiores da perversidade do capital e dos modos como grupos empresariais financiam seus luxos a partir da expropriação da dignidade de seres humanos como todos nós, principalmente dos usuários destes serviços de saúde mental. Culpabilizar a falta de recursos é um argumento tecnocrático para justificar negligências injustificáveis,  configurando sérias afrontas aos princípios constitucionais e aos direitos humanos.

A verdadeira luta começa agora. Não há mais como a sociedade sorocabana refugiar-se na zona de conforto do desconhecimento sobre o modo como esta “cidade educadora”, “cidade saudável”, cuida das pessoas que precisam de atenção, quando o assunto é saúde mental. A perversidade transbordou para fora dos muros frios e asfixiantes do manicômio. 

A saúde mental em Sorocaba precisa ser vista como pauta urgente de qualquer projeto político realmente implicado na defesa da cidadã e do cidadão sorocabano. Seja ele usuário dos serviços de saúde mental ou não.

O compromisso fundamental do FLAMAS é afrontar a lógica manicomial que transcende os muros dos hospitais e sustenta a segregação da diferença em nossas mentes, em nossos atos, em nosso silêncio.

Não há retorno: a solução para o fim das mortes nos manicômios, é a morte dos manicômios.

REFORMA PSIQUIÁTRICA ANTIMANICOMIAL JÁ, SOROCABA!

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