Nota do Prof. Marcos Garcia referente à discussão de hoje (27.05.2011) na Comissão Especial que investiga os Manicômios de Sorocaba

O texto abaixo foi enviado aos vereadores da Comissão Especial de Investigação sobre a questão dos manicômios de Sorocaba. Constitui-se como resposta à constante desqualificação que o trabalho de pesquisa que vem sendo desenvolvido pelo FLAMAS, com a dedicada coordenação do Prof. Dr. Marcos Garcia, docente da UFSCar-Sorocaba. Este texto vem responder aos acontecimentos da oitiva realizada no dia 27.05.2011.

Fazem parte da CEI os seguintes vereadores:

Izídio de Brito: izidiopt@camarasorocaba.sp.gov.br

Crespo: jaccrespo@hotmail.com

Neusa Maldonado: vereadoraneusa@camarasorocaba.sp.gov.br

Pastor Luis Carlos: vereadorluissantos@camarasorocaba.sp.gov.br

Coronel Rozendo: coronelrozendo@camarasorocaba.sp.gov.br

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Nobres Vereadores,

Soube hoje por intermédio de pessoas presentes à Comissão da Câmara Municipal que investiga os manicômios da cidade que foram levantados questionamentos por parte de alguns vereadores presentes com referência à vinculação da pesquisa “Levantamento dos Indicadores sobre os Manicômios de Sorocaba e Região” com a UFSCAR e à qualidade da mesma. Por este motivo, venho por meio desta responder às acusações e solicitar a gentileza de leitura desta mensagem na próxima reunião da referida Comissão.

Com relação à vinculação da pesquisa com a UFSCAR, encaminho cópia do ofício (Anexo 1) com a resposta do Diretor do Campus da UFSCAR de Sorocaba, Isaías Torres, à solicitação do Prefeito Vitor Lippi, que pediu esclarecimento desta vinculação. O ofício esclarece que tal pesquisa é coordenada por mim na UFSCAR/Sorocaba e desenvolvida como parte de minhas atividades como docente com dedicação exclusiva à instituição.

Embora não tenha entendido os questionamentos à qualidade da pesquisa, uma vez que seus dados foram confirmados posteriormente pelos próprios proprietários dos Hospitais Psiquiátricos, como no caso do Dr. Dirceu Doretto, do “Teixeira Lima” (informação disponível no link http://www.luissantos.com.br/index3.php?id3=1368) e pela fiscalização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência (informação disponível no link http://www.izidio.com.br/Izidio/WebSite/Noticias/comissao-especial-dos-hospitais-psiquiatricos-ouve-secretario-e-coordenadora-de-saude-mental,20110520125026_N_485.aspx), envio no Anexo 2 a manifestação de apoio à pesquisa por parte da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME), entidade que congrega o maior número de pesquisadores da área de Saúde Mental do Brasil, e no Anexo 3 a manifestação no mesmo teor da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO), maior e mais atuante associação de pesquisadores na área da Psicologia do Brasil

Ressalto que me causou estranheza o questionamento ao meu desempenho profissional no momento atual, em virtude de ter sido procurado pelo Poder Público municipal em setembro de 2010, para coordenar um projeto que teve como parceiras duas Secretarias Municipais, referente à criação de um Centro de formação de profissionais para o atendimento a usuários de drogas. Tal projeto foi aprovado (conforme mostra reportagem reproduzida no Anexo 4) e aguarda liberação orçamentária para seu início. Na apresentação do referido projeto consta, inclusive, como uma das justificativas, “a necessidade de desenvolvimento de uma formação na área de saúde mental comprometida com os ideais da reforma psiquiátrica em uma região em que ainda predomina o modelo hospitalocêntrico”. (ver Anexo 5, p.2). Imagino que a Prefeitura Municipal não solicitaria minha colaboração na coordenação do projeto de não houvesse confiança na qualidade de meu trabalho.

Encaminho também (no Anexo 6), mensagem recebida de Rosa Queiroz, Assistente Social da ACAP, entidade fundada pelo nobre Vereador Luis Santos, que me parabeniza pela pesquisa “Sexualidade e uso de drogas entre a população jovem em situação de rua de Sorocaba”, por mim coordenada e que teve um de seus subprojetos realizados aquela entidade.

Ressalto a necessidade da manutenção de um diálogo de alto nível. Acusações pessoais de qualquer tipo, além de extremamente deselegantes para com um pesquisador que busca contribuir para o desenvolvimento regional e que tem em seu currículo diversas publicações em periódicos nacionais e internacionais (disponível no link: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4778840J1), não ajudam na manutenção deste diálogo. Não fiz, nem por escrito, no relatório preliminar da pesquisa, nem oralmente, nas entrevistas concedidas ou nos depoimentos na Câmara Municipal, qualquer tipo de acusação a pessoas, sejam elas funcionárias ou donas de manicômios ou ainda membros do Executivo ou Legislativo municipais. Acho justo, por este motivo, ser tratado da mesma maneira. Diferenças de idéias e propostas existem e é salutar que possam ser debatidas, postura na qual sempre me coloquei..

Sem mais e grato pela atenção,

Marcos Roberto Vieira Garcia

Professor da UFSCAR-Sorocaba

Doutor em Psicologia Social (USP)

Coordenador do Núcleo Sorocaba da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO)

Membro do Comitê-gestor da subsede Sorocaba do Conselho Regional de Psicologia (CRP-06)

Coordenador do Centro de Referência em Educação na Atenção ao Usuário de Drogas da região de Sorocaba (CREAD /Sorocaba)

Membro do Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba (FLAMAS)

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